terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

#ArnaldoJabor ...✍🏼

...O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção
estelar. 
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada,veste-se bem e é fã
do Caetano. 
Isso são só referênciais. 
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério,
pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca... #ArnaldoJabor ✍🏼

Oi caro (a) leitor (a), a partir de hoje, a Comunicação Social brasileira não terá mais os comentários lógicos, inteligentes e sábio do Arnaldo Jabor.
 
Arnaldo Jabor, faleceu hoje, (15 de fevereiro de 2022), aos 81 anos de idade, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
...😢 ✍🏼...

Arnaldo Jabor, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 12 de dezembro, foi cineasta, roteirista, diretor de cinema e TV, produtor cinematográfico, dramaturgo, crítico, jornalista e escritor brasileiro.

Escrevia muito bem, uma grande referência pro (a) copywriting, pro (a) Jornalista, escritor (a), publicitário(a), brasileiro(a), enfim.
Contudo, fica a obra e o legado, a partir de hoje, Arnaldo Jabor torna-se Cidadão Honório Brasileiro, contribuinte da Intelectualidade brasileira.
Aos familiares, parentes e amigos, meus sinceros sentimentos e pesar, pela perda desta grande persona do Brasil 🇧🇷.

Obrigado, ✨Arnaldo Jabor...✍🏼

👋🏼

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Vacina pode gerar falso-positivo de covid-19? Entenda boato.

"Recentemente, tem crescido um boato de que pessoas vacinadas contra a covid-19 podem apresentar falso-positivo nos resultados de seus exames. Em alguns casos, o boato é acompanhado da orientação —absurda— de que a pessoa não faça um teste mesmo que tenha sintomas por causa do suposto "falso-positivo".

Será que isso é possível? Para entender se existe essa possibilidade, é necessário se aprofundar sobre o funcionamento dos imunizantes e dos exames disponíveis no país.


Falso-positivo em testes de detecção do vírus da covid-19
Esses são os principais testes para avaliar a infecção pela covid-19 em pessoas assintomáticas ou com sintomas:

RT-PCR: é um teste molecular baseado na pesquisa do material genético do vírus (RNA) em amostras coletadas por swab da nasofaringe. É considerado o exame laboratorial padrão-ouro para diagnóstico da infecção.
RT-LAMP: é outro teste molecular que pesquisa o RNA do vírus, mas, neste caso, por amplificação isotérmica. A coleta também é realizada por swab de nasofaringe e sua sensibilidade é pouco inferior ao RT-PCR de nasofaringe. Sua principal vantagem é a rapidez do resultado.
Antígeno de Sars-CoV-2: é um teste imunológico baseado no reconhecimento do antígeno (uma parte da estrutura do vírus) em amostras coletadas por swab de nasofaringe. Sua principal vantagem é apresentar rápido resultado por um custo mais baixo. Sua sensibilidade também é inferior ao RT-PCR.
Segundo José Geraldo Leite Ribeiro, mestre em infectologia e medicina tropical pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e epidemiologista do Grupo Pardini, se uma pessoa é vacinada e apresenta qualquer um desses testes com resultado positivo é porque ela está realmente infectada.

Ribeiro afirma que, independentemente da dose de imunizante recebida, os exames não serão positivados, e que estes são procedimentos sensíveis e bastante específicos em relação ao vírus da covid-19 e oferecem um diagnóstico de maior certeza.

Falso-positivo em vacinados nos testes de sorologia
Brianna Nicoletti, especialista em alergia e imunologia pela USP (Universidade de São Paulo) e membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), aponta que esses são exames considerados tardios, pois avaliam principalmente a memória imunológica ao vírus.

As sorologias são ensaios imunológicos, realizados em amostras de sangue, que pesquisam a presença de anticorpos produzidos contra o vírus. Em geral, eles iniciam sua produção a partir do 7º dia de doença e tornam-se detectáveis, na maioria dos indivíduos, a partir do 21º dia de doença. Portanto, não é um bom exame para detecção a covid-19. Dessa forma, um resultado negativo não exclui a possibilidade de a pessoa estar infectada. Estes são os principais:

Sorologia de anticorpos neutralizantes: quantifica anticorpos capazes de impedir a ligação do vírus com a célula humana. É feito pelo método ELISA, teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos específicos, e usado no diagnóstico de várias doenças que induzem a produção de imunoglobulinas. A produção desse tipo de anticorpo pode ocorrer após infecção natural pelo Sars-CoV-2 ou após a vacinação contra a covid-19.
Sorologia de anticorpos totais: é feito pelo método de  eletroquimioluminiscência. Possui sensibilidade de 95% (pequena quantidade de falsos negativos) e especificidade próxima de 100% (pouco erro para os positivos).
Sorologia de anticorpos IgM/IgG: é feito pelo método quimiluminescência anti-RBD. Possui sensibilidade e especificidade próximas de 100%. O teste de IgG, apesar de ser um anticorpo de ligação, utiliza como alvo anticorpos anti-RBD e, por ser específico para esta porção do vírus que se liga à célula humana, tem a boa correlação com os anticorpos neutralizantes.
Conforme detalha Nicoletti, as sorologias fazem o diagnóstico de memória imunológica, ou seja, da presença de anticorpos contra o vírus. Neste caso, a produção de anticorpos pode ser induzida tanto pela vacina como pela infecção tardia do coronavírus e, nos dois casos, produzem IgG e IgM.

O que podemos concluir?
Ribeiro explica que nenhuma das vacinas utilizadas contra o Sars-CoV-2 é capaz de positivar os testes RT-PCR, RT-LAMP ou de antígeno, visto que, comprovadamente, não produzem vírus capazes de fazer com que o resultado seja um falso-positivo. Além disso, a resposta imunológica não é produzida no mesmo local onde as amostras são recolhidas, que é na nasofaringe.

Por outro lado, os exames feitos com sorologia —como é o caso de alguns testes rápidos— podem detectar tanto a proteína S quanto os anticorpos produzidos pela vacina (IgG e IgM), o que resultaria em falso-positivo. No entanto, isso só é possível por volta de 21 dias após a vacinação e não imediatamente.

Além disso, as vacinas induzem a fabricação da proteína S nas células, que, posteriormente, é sintetizada nos nódulos linfáticos e aparece em quantidade mínima no sangue.

Por fim, Ribeiro reforça que esses testes são imprecisos e pouco contribuem com o diagnóstico da doença. Se o objetivo for avaliar se a pessoa está infectada, prefira os testes RT-PCR, RT-LAMP ou de antígeno. Neste caso, um falso-positivo em função da vacina não vai acontecer.

Fontes: Brianna Nicoletti, especialista em alergia e imunologia pela USP (Universidade de São Paulo) e membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); José Geraldo Leite Ribeiro, mestre em infectologia e medicina tropical pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e epidemiologista do Grupo Pardini; Maura Neves, otorrinolaringologista no Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e especialista pela ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial).
Carol Firmino
Colaboração para #VivaBem
02/02/2022 10h41.
Colaboração Jornalista Profissional Daniel Soares...✍🏼



Covid-19: dificuldade de concentração e memória fraca podem durar meses após infecção; entenda

"Sintomas podem afetar as pessoas por meses após a infecção e não está claro se alguns deles serão permanentes.

"A covid-19 é, sem sombra de dúvidas, a doença mais preocupante do século no impacto e prejuízo das funções neuropsicológicas", diz a neuropsicóloga Lívia Valentin, professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).

Ela liderou um estudo sobre o tema no Instituto do Coração (Incor), que identificou problemas de memória de curto prazo em 63% dos pacientes com covid-19 e dificuldades de atenção em 72% deles.
Essa pesquisa se soma a mais de 200 outros estudos ao redor do mundo que tratam do impacto neurológico direto ou indireto da covid-19, os possíveis caminhos que o vírus percorre no corpo humano até chegar ao cérebro e os sintomas que podem afetar as pessoas por meses após a infecção.

Entre eles, dor de cabeça, perda de olfato, tontura, problemas de memória, dificuldade de atenção, dores musculares, ansiedade e depressão.

E não está claro se alguns deles serão permanentes.

Essa dúvida preocupa a bancária Evelize Vasconcelos, de 40 anos, que foi internada em unidade de terapia intensiva (UTI) em Salvador após contrair coronavírus e tem "sensação de estar sempre balançando" desde que recebeu alta. "É como se eu estivesse em alto mar."

Seu relato à BBC News Brasil é feito de forma pausada por dois motivos: ainda falta ar aos pulmões em recuperação e as palavras somem com frequência enquanto seu raciocínio vai e vem. Ela não sabe quanto tempo vai levar até recuperar a agilidade de antes, já que agora mal consegue fazer contas simples de matemática.

Os exames ainda não conseguiram explicar o que está acontecendo, e a forma exata com que o coronavírus afetou as funções neurológicas dela está ligada a uma das quatro grandes linhas de pesquisa dessa área desde o início da pandemia, quando ficou claro que a covid-19 não era uma simples doença respiratória.

Afinal, como o vírus invade o sistema neurológico, como esse ataque está ligado aos sintomas, quais são os possíveis tratamentos e quantas pessoas são afetadas de forma temporária ou permanente?

Em linhas gerais, esses sintomas estão ligados a três partes importantes do corpo humano:

Sistema nervoso central, responsável por receber informações dos sentidos e distribuir ações: dores de cabeça, tontura, confusão, doença cerebrovascular aguda, ataxia (que afeta coordenação, fala e equilíbrio) e convulsões;
Sistema nervoso periférico, responsável por conectar o sistema nervoso central a outras partes do corpo: comprometimento de olfato e paladar, problemas de visão, audição e tato);
Sistema musculoesquelético, responsável pela estabilidade e movimentação do esqueleto: dores (mialgias) e lesões musculares.
Para grande parte dos pacientes, os danos cerebrais se tornam sequelas da chamada covid-19 longa, condição de saúde na qual o impacto da doença persiste por semanas ou meses.

"A etiologia (origens e causas) dos sintomas neuropsiquiátricos em pacientes de covid-19 é complexa e multifatorial. Pode estar ligada ao efeito direto da infecção, a doenças cerebrovasculares (incluindo hipercoagulação), a um comprometimento fisiológico (hipoxia), a efeitos colaterais de medicamentos e a aspectos sociais de ter uma doença potencialmente fatal", afirmam pesquisadores de universidades dos EUA, do México e da Suécia que analisaram dezenas de estudos, envolvendo 48 mil pacientes.

Os sintomas mais relatados por pacientes são dor de cabeça (44%), dificuldade de atenção (27%), anosmia (perda do olfato, em 21%), além de outros dois menos comuns, porém mais incapacitantes, como neuropatias e confusão mental ("brain fog", em inglês, ou "névoa cerebral", em tradução literal).

Ainda não há dados precisos sobre o perfil dos pacientes mais afetados, mas em geral os estudos apontam que a maioria é formada por pessoas acima de 40 anos.

Ressonância magnética mostra alterações na estrutura do córtex cerebral; em amarelo, a redução na espessura cortical; em azul, o aumento da espessura.

 Como o coronavírus invade o sistema nervoso central?
Pesquisadores da cidade chinesa de Wuhan, considerada o primeiro epicentro da pandemia, analisaram 214 pacientes infectados entre janeiro e fevereiro de 2020. Do total, 37% apresentavam impactos neurológicos da doença e 59% deles eram mulheres.

Esse estudo jogou luz sobre o fato de que pacientes com infecções graves do novo coronavírus apresentavam lesões neurológicas frequentes. Não se sabia naquele momento se essas manifestações ocorriam por ação direta ou indireta do vírus Sars-Cov-2, e até hoje isso não está claro.

Dois meses depois, outro grupo de pesquisadores da China sugeriram duas hipóteses para a invasão do sistema nervoso pelo vírus: por vasos sanguíneos após passagem pelos pulmões ou pelo nariz, via mucosa olfatória, que é ligada ao sistema nervoso central.

Daniel Martins-de-Souza, professor do departamento de bioquímica da Universidade de Campinas (Unicamp), explica em entrevista à BBC News Brasil que mais de um ano depois a pergunta como o coronavírus chega no cérebro "foi respondida parcialmente".

Os estudos têm mostrado que o fato de o vírus não chegar ao cérebro de todos os infectados aponta que o caminho mais provável é aquele que passa pelo nervo olfatório, que conduz impulsos elétricos associados ao sentido do olfato.

Segundo estudo liderado por pesquisadores de universidades de Berlim (Alemanha), amostras de 33 pessoas que morreram de covid grave apontam que o vírus pode entrar na mucosa olfatória, cruzar a interface neural-mucosa e entrar no sistema nervoso. A mucosa olfatória reveste algumas regiões das cavidades nasais e tem em sua composição células sensoriais que derivam do sistema neurológico central.

No estudo, publicado em novembro de 2020, eles dizem ter encontrado nessa região partículas intactas de coronavírus. Segundo os pesquisadores, a invasão de células nervosas da mucosa olfatória pelo vírus poderia explicar sintomas neurológicos mais diretos em pacientes com covid-19, como a perda de olfato e de paladar. Além disso, a presença do coronavírus em áreas do cérebro com funções vitais pode ter outro impacto mais grave: agravar a dificuldade de respiração.


O que o coronavírus faz no cérebro?
Ao chegar ao cérebro, o vírus mira dois pilares do sistema nervoso: os neurônios e os astrócitos. Em resumo, os primeiros são responsáveis por transmitir impulsos nervosos e os segundos, por abastecê-los de energia.

Não está claro o que leva o coronavírus ao cérebro, mas pesquisadores têm avançado no entendimento dos possíveis mecanismos do que acontece quando ele está ali.

Martins-de-Souza, da Unicamp, explica que o corpo humano conta com uma barreira hematoencefálica, que é uma espécie de guardiã que permite que elementos presentes no sangue cheguem ao cérebro, mas evita a passagem de patógenos como vírus e bactérias.

Só que alguns invasores conseguem ultrapassar essa barreira. Uma das portas de entrada seria a proteína ACE2 (ou ECA2, em português), que funciona como uma espécie de "fechadura" de células humanas abertas pela "chave" do coronavírus (a tal proteína spike, aqueles "espinhos" presentes em torno do vírus que formam uma "coroa" e dão nome ao coronavírus).

Mas, em um estudo produzido em outubro de 2020, Martins-de-Souza e outros 79 colegas analisaram tecidos cerebrais de pacientes que morreram de covid-19 e em células cultivadas em laboratório e identificaram a presença do coronavírus nos astrócitos, que não contam com a ACE2.

Então, por onde o Sars-Cov-2 entrou? Aparentemente, a porta de entrada aqui é a neuropilina (NRP1), uma proteína numerosa também em vasos sanguíneos e neurônios.

"O NRP1 é expresso até mesmo em neurônios olfatórios, dando à Sars-CoV-2 um caminho direto para entrar nessas células e interromper o olfato", explicam seis pesquisadores de hospitais da Flórida (EUA) em outro estudo sobre esse ponto. Segundo eles, essa invasão pode aumentar a capacidade do coronavírus de se espalhar e infectar.

"Quando o vírus está dentro dos astrócitos, ele muda a maneira com a qual os astrócitos produzem energia. Células vivem para produzir energia, para poder desempenhar as funções dela. Então o vírus, de alguma forma, muda a maneira com a qual o astrócito produz energia, porque ele precisa de energia também para se replicar", explica Martins-de-Souza.

Isso pode levar à morte do neurônio por "falta da energia" que recebia dos astrócitos ou por causa do ambiente tóxico que surge no cérebro quando os astrócitos passam a produzir uma substância prejudicial aos neurônios.

O cenário descrito pode ser o responsável, segundo os cientistas, pelas alterações neuropatológicas e pelos sintomas neuropsiquiátricos observados em pacientes com covid-19.


Quais são os principais sintomas neurológicos?
Há diversos sintomas neurológicos que vêm sendo associados à covid-19 desde o início da pandemia, como dor de cabeça, perda de memória, confusão mental e dificuldade de concentração. Além disso, há outras condições mais raras, como acidente vascular cerebral, comprometimento da consciência, psicose, delírio, convulsões e encefalopatia.

Alguns desses sintomas podem ser sinais de que o sistema imunológico está combatendo a doença, mas a grande maioria não.

"Acho que não estava na conta de ninguém imaginar que pessoas que não foram internadas, que seriam quadros 'leves', pudessem ficar com uma gama de alterações neurológicas incapacitantes, como observamos não só aqui mas no mundo inteiro", explicou Clarissa Lin Yasuda, médica e professora do departamento de neurologia da Unicamp, em entrevista recente à BBC News Brasil.

Ela é uma das coautoras do estudo do qual Martins-de-Souza participou, que identificou sinais de danos cerebrais em 25% das pessoas que morreram de covid-19.

"É muita coisa que a gente não sabe, muita coisa para ser estudada: o quanto desses quadros neurológicos tem um componente inflamatório, o quanto é autoimune, o quanto é um ataque direto do vírus. Ninguém tem uma resposta, mas acho que é uma combinação disso tudo."

Segundo o grupo de pesquisadores de universidades dos EUA, do México e da Suécia que analisou dezenas de estudos sobre o tema, pacientes adultos que tiveram covid-19 têm o dobro de chance de desenvolver transtornos psiquiátricos, como ansiedade, insônia e demência. Isso pode estar ligado também ao impacto negativo da doença na qualidade do sono dos pacientes.

Mas crianças e adolescentes também correm sérios riscos. Quarenta e oito médicos e pesquisadores dos EUA produziram um estudo, publicado no começo do mês no periódico Jama Neurology, que aponta que 22% dos pacientes com menos de 21 anos tiveram sintomas neurológicos e 12% com distúrbios neurológicos potencialmente fatais, como encefalopatia grave, acidente vascular encefálico (AVC), infecção do sistema nervoso central e síndrome de Guillain-Barré (uma fraqueza muscular causada pelo sistema imune que pode ser fatal).

 Impacto na memória
Os mecanismos da associação direta entre a covid-19 e os problemas de memória de curto e longo prazo ainda não estão muito claros. Mas há algumas pistas em estudo.

Natalie Tronson, professora da Universidade de Michigan (EUA) e especialista em formação da memória, afirma que mudanças duradouras no cérebro após problemas graves de saúde, como infarto e covid-19, são associadas ao aumento do risco de declínio cognitivo com o avanço da idade e também de doenças como Parkinson.

Essas transformações no cérebro podem afetar a memória tanto por danificar a conexão entre os neurônios quanto por mudanças no funcionamento neuronal, como dito anteriormente em relação aos problemas da "transmissão de energia" dos astrócitos para os neurônios.

Outro ponto problemático envolve as micróglias, que são um tipo de célula imunológica do cérebro.

"Durante doenças e inflamações, as células imunológicas especializadas no cérebro se tornam ativas, disparando uma enorme quantidade de sinais inflamatórios e modificando como eles se comunicam com os neurônios. Para um tipo de célula, a micróglia, isso significa mudar sua forma, abandonando braços finos e se tornando células móveis e inchadas que envelopam possíveis patógenos e detritos celulares em seu caminho. Ao fazerem isso, elas também destroem e devoram conexões neuronais que são muito importantes para o armazenamento da memória."

Outra mudança estrutural do cérebro chamou a atenção dos cientistas. Martins-de-Souza, da Unicamp, explica que a morte neuronal provocada pelos astrócitos pode levar a uma mudança na espessura do córtex cerebral, região responsável pela fala, memória, compreensão da linguagem, entre outras tarefas.

O estudo do qual ele participou aponta que essa mudança estrutural ocorrida no córtex durante a covid-19 pode ter impacto na memória. "Os resultados apontam que um córtex mais fino está associado a um pior desempenho em tarefas de memória verbal. Em geral, nossos achados indicam alterações significativas na estrutura cortical associada a sintomas neuropsiquiátricos em pacientes com sintomas respiratórios leves ou mesmo sem sintomas respiratórios", afirmam os pesquisadores.

É o caso da estudante Geovanna Bessa, 18, moradora de Paraíso do Tocantins (TO) que apresentou sintomas leves de covid-19 em janeiro de 2021, mas até hoje não se livrou da grande e constante perda de memória, da sensação de estar aérea e da dificuldade de se concentrar.

Ela chega a se esquecer do que está falando no meio de uma conversa. "A perda de memória é algo que parece inofensivo, mas que faz toda a diferença; às vezes me esqueço se tranquei a porta ou desliguei o fogo, o que é muito perigoso", conta à BBC News Brasil.


Duração dos sintomas e possíveis tratamentos
"Ainda não sabemos se existe a possibilidade de reversão do quadro cognitivo prejudicado. Assim como algumas pessoas ainda não retornaram com seus paladares e olfatos, outras estão ainda apresentando falhas significativas na memória, função executiva e linguagem mesmo depois de terem se recuperado da covid-19 há 10 meses", afirma Livia Valentin, da USP, à BBC News Brasil.

Segundo pesquisadores do Hospital Universitário de Oslo (Noruega), em estudo com 13 mil participantes, 12% dos infectados por coronavírus apresentavam problemas de memória oito meses após terem contraído o vírus. E esses pacientes continuam a ser acompanhados.

Estudos apontam também que o surgimento desses sintomas varia bastante de um paciente para outro. Pesquisadores da Northwest Medicine, um operador de saúde dos EUA, acompanharam 509 pacientes internados com covid-19. Do total, 42% tiveram sintomas neurológicos no início da infecção, 63% durante o período de internação e 82% ao longo do período inteiro. Os três principais sintomas eram dores musculares, dor de cabeça e encefalopatia (termo usado para doenças difusas cerebrais que alterem sua estrutura ou sua função).


Sem protocolo
Até o momento, não existe um protocolo de tratamento estabelecido para os sintomas neurológicos ligados à covid-19, uma doença nova, sistêmica e multifatorial.

Além das vacinas, há raríssimos medicamentos capazes de evitar casos graves e mortes por covid-19. Mas eles só são adotados por médicos na avaliação caso a caso, e não como prevenção ou tratamento em larga escala para a população. E a automedicação também pode agravar a doença.

É o caso da dexametasona, um corticoide que combate uma reação desproporcional do sistema imunológico de alguns pacientes (tempestade de citocinas) contra a covid que pode acabar tendo o efeito inverso e leva à morte. Essa reação imunológica desenfreada potencialmente fatal pode afetar diversos órgãos, e um deles é o cérebro.

Esse medicamento também pode ter efeitos positivos contra os sintomas neurológicos. Especialistas do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York (EUA), analisaram a fundo 18 pacientes com câncer que foram infectados pela covid-19 e que reforçaram a hipótese de uso de anti-inflamatórios para lidar com a chamada névoa cerebral.

Mas o que um paciente deve fazer caso desenvolva outros sintomas neurológicos, como confusão mental, perda de memória, tontura e dor de cabeça?

Segundo Valentin, da USP, "os tratamentos são muito variados, desde os medicamentosos, psicoterápicos, reabilitação neuropsicológica, fisioterápico". Ela defende que o período pós-covid-19 "exige um olhar preocupante de saúde pública" e, por isso, deveria envolver diversos profissionais em equipes multidisciplinares tanto no problema quanto no tratamento.

"Caso contrário teremos uma população extremamente prejudicada em um futuro muito breve nas esferas laboral, social, acadêmica, familiar e pessoal das pessoas afetadas. Como falamos de milhares, quiçá milhões de pessoas afetadas, penso que a necessidade de um trabalho emergente e urgente já se faz tarde."
Por
Cristiane Martins - De Londres para a BBC News Brasil

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Morre cientista Luc Montagnier, Nobel de Medicina e descobridor do vírus da aids

 Luc Montagnier, cientista que descobriu o vírus da aids, morreu nesta terça-feira (9) em um hospital no subúrbio de Paris. O francês tinha 89 anos e recebeu o Nobel da Medicina em 2008.

Nos últimos anos de vida, foi alvo de denúncias de colegas de profissão por teorias conspiratórias, sobretudo relacionadas à Covid-19.

Montagnier e Françoise Barre-Sinoussi dividiram o Nobel em 2008 por seu trabalho no Instituto Pasteur, em Paris, ao isolar o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Sua conquista acelerou o caminho para testes da doença e medicamentos antirretrovirais que mantêm o patógeno sob controle.

A aids (síndrome da imunodeficiência adquirida) chegou ao conhecimento público pela primeira vez em 1981, quando médicos norte-americanos notaram um grupo incomum de mortes entre jovens gays na Califórnia e em Nova York.

Montagnier teve uma rivalidade com o cientista americano Robert Gallo em seu trabalho inovador na identificação do HIV no departamento de virologia que criou em Paris em 1972. Ambos são creditados com a descoberta de que o HIV causa a aids, e suas alegações levaram por vários anos a uma disputa legal e até diplomática entre a França e os Estados Unidos.
 
O trabalho do cientista começou em janeiro de 1983, quando amostras de tecido chegaram ao Instituto Pasteur de um paciente com uma doença que destruiu misteriosamente o sistema imunológico. Mais tarde, ele lembrou a “sensação de isolamento” enquanto a equipe lutava para fazer a conexão vital.

“Os resultados que tivemos foram muito bons, mas não foram aceitos pelo resto da comunidade científica por pelo menos mais um ano, até que Robert Gallo confirmasse nossos resultados nos EUA”, disse ele.

O júri do Nobel não mencionou Gallo em sua citação. Em 1986, Montagnier dividiu o Prêmio Lasker — o equivalente norte-americano do Nobel — com Gallo e Myron Essex.

Em 2011, para marcar 30 anos desde o aparecimento da Aids, Montagnier alertou para os custos crescentes do tratamento dos 33 milhões então atingidos pelo HIV.

“O tratamento corta a transmissão, isso é claro, mas não a erradica, e não podemos tratar todos os milhões de pessoas”, disse ele à AFP.


Montagnier nasceu em 8 de agosto de 1932 em Chabris, na região de Indre, no centro da França. Depois de chefiar o departamento de Aids de Pasteur de 1991 a 1997, e após lecionar no Queens College, em Nova York, Montagnier gradualmente se desviou para as margens científicas e se tornou um personagem controverso.

Ele repetidamente sugeriu que o autismo é causado por infecção e montou experimentos muito criticados para provar isso, alegando que antibióticos poderiam curar a doença. Surpreendeu muitos de seus colegas quando falou da suposta capacidade da água de reter uma memória de substâncias. E acreditava que qualquer pessoa com um bom sistema imunológico poderia combater o HIV com a dieta certa.

Montagnier apoiou as teorias de que o DNA deixou um traço eletromagnético na água que poderia ser usado para diagnosticar a aids e a doença de Lyme. Também defendeu as qualidades terapêuticas do mamão fermentado para a doença de Parkinson.

Ele repetidamente assumiu posições contra as vacinas, recebendo uma reprimenda pungente em 2017 de 106 membros das Academias de Ciências e Medicinas.

Durante a pandemia de Covid voltou a destacar-se, afirmando que o coronavírus foi feito em laboratório e que as vacinas foram responsáveis pelo aparecimento de variantes. Essas teorias, rejeitadas por virologistas e epidemiologistas, o tornaram ainda mais um pária entre seus pares, mas um herói para os anti-vaxxers franceses.


Redação da Agência Aids com informações:
 https://agenciaaids.com.br/noticia .
Colaboração Jornalista Profissional Daniel Soares ✍🏼.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

...som de churrasco...✍🏼

...templo ou monumento memorial da Índia e de outras regiões do Oriente, templo em forma de torre, com diversos andares e telhados a cada andar terminados, frequentemente, em pontas recurvas para cima.
ídolo indiano, imagem de um deus ou santo asiático, enfim, este é o significado da palavra Pagode.
No Brasil 🇧🇷, pagode resume-se em Pândega, farra, brincadeira. Estilo musical parecido com o samba.
No entanto, hoje o pagode além da extensão do samba, realmente é um ritmo, música, som, ...
Pagode é a tradução dos corações apaixonados da geração 1990.

Confessa leitor (a) que você pensava na pessoa que você gostava, ouvindo o bom pagode daquela geração?
💎 Negritude Jr 💎
💎 Pixote 💎
💎Soweto,
💎 Raça Negra
💎 Só pra contrariar
💎 Exalta Samba
💎Art Popular
💎
💎
💎... Entre tantos 😍...

Foram os cupidos de muitos corações apaixonados dos anos 1990.

Confesso que ouvia muito e na liberdade da minha intimidade, foram os melhores momentos da minha adolescência!

Ouvir um bom pagode é pura liberação de muita serotonina!

Eu amo até hoje, ...✍🏼
#JustiçaParaMoïse #forabolsonaro

Portanto, quero aqui com você leitor (a) propor a produção de um churrasco com muito SAMBA e pagode, pode deixar que a trilha sonora fica por minha conta!

Viva o Samba, viva o pagode, viva a arte musical brasileira 🇧🇷.

Abaixo o link dos grandes pagodes da geração 1990.

https://youtu.be/Fm6wu_Tzifc
https://youtu.be/IQaXQEkT1So